O Poço de Solidão foi lançado em 1928, tal como Orlando de Virginia Woolf e provocou um enorme
alvoroço em toda a Europa e na América. Foi proibido em Inglaterra, decisão que fez nascer entre os
sectores mais libertários da sociedade da época um movimento de luta pela liberdade de expressão.
Banido das livrarias, deu origem a uma troca de artigos inflamados entre editores e jornalistas
conservadores e anárquicos e tornou-se um «sucesso escandaloso» passado de mão em mão, em cópias
contrabandeadas, de Paris para Berlim e de Londres para os Estados Unidos.
A personagem central do romance é Stephen, uma jovem herdeira inglesa baptizada com um nome
masculino pelo pai desgostoso pelo facto de não ser «o tão desejado filho varão». A narrativa, escrita
num registo ardente e sensível e com uma abordagem psicológica crua e directa, acompanha Stephen
ao longo da vida e retrata a sua luta para se afirmar, apesar de cedo perceber o quão difícil é ser-se
respeitado na sociedade inglesa do começo do século XX. A ingenuidade de Stephen, sempre à espera
de ser aceite tal como é, uma mulher trabalhadora, com ambições e capaz de ganhar o seu próprio
sustento, é verdadeiramente enternecedora. A obra deixou boquiabertos os moralistas da época, que
alegavam que a mesma lançava uma luz favorável sobre comportamentos que consideravam
exemplos de libertinagem.
A luta pela aceitação travada por Stephen, a protagonista, confunde-se com a de Radclyffe Hall, a sua
autora, que lutava contra a proibição do seu livro de uma forma panfletária e quase pré-militante que
deixava irritados tanto os conservadores quanto os espíritos mais anárquicos ou libertários.