A linguagem da vida é símbolo, e todos os momentos da nossa vida
oferecem ensinamentos, mesmo os mais simples e prosaicos. Ler a vida
e refletir sobre ela é uma receita mais que eficaz para a construção de
verdadeiros seres humanos. Há que ter metas claras, humanistas, e
constante ânimo de aprendiz.
Como filósofa, tenho dito isso aos meus alunos durante mais de 30
anos. Não é raro que alguns me perguntem: "Na prática, como se faz
isso?" As minhas crónicas são uma resposta a esta pergunta.
Durante mais de 10 anos juntei e redigi observações que antes ocorriam
apenas na minha mente: a rosa que se abriu, o gatinho que se
foi, o tomateiro no fundo do meu quintal, uma criança com a mãe,
no aeroporto... Coisas tomadas como "sem valor", surpreendem pela
beleza dos "recados" guardados nelas, acerca da vida, das leis da natureza
externa e da natureza interna daquele seu apreciador, a qual se revela
diante de uma abordagem delicada, mas profunda.