O Ninho da Cotovia

de Raquel Ramos 

Bertrand.pt - O Ninho da Cotovia
Opinião dos leitores
(9)
Editor: Edições Afrontamento
Edição: junho de 2024
13,00€
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No dia 17 de junho de 2017, José, Teresa, João, Cidália, Sãozinha e outras personagens são surpreendidas por um incêndio dantesco, que Manuel Tolo, rodopiando sobre si próprio e atirando gargalhadas ao vento, ajudou a formar. Como é que um acontecimento inesperado, e pelo qual ninguém é responsabilizado, interfere na vida destas personagens e a muda para sempre?

Tendo como inspiração o incêndio de Pedrógão Grande, O Ninho da Cotovia é uma narrativa ficcional que decorre no interior do nosso país e confronta o leitor com a imprevisibilidade da vida e a injustiça, mas também com a força individual, a solidariedade, o humor e os segredos de cada uma das personagens.

Por falar em segredos, será que o velho josé conseguiu dar com o ninho da cotovia e matar o cuco?

  • Uma Narrativa Inquietante!
    Fernanda Freitas | 13-09-2024

    ´´O Ninho da Cotovia´´ é uma narrativa que nos transporta para o coração do interior de Portugal, confrontando-nos com a força devastadora de um incêndio que, além de destruir a paisagem física, transforma irreversivelmente a vida das personagens. Inspirada no trágico incêndio de Pedrógão Grande, Raquel Ramos utiliza esse evento como pano de fundo para explorar as complexidades da vida humana, as relações entrelaçadas e os segredos ocultos que, à medida que a narrativa avança, emergem como peças centrais da trama. A história destaca-se pela forma como a autora retrata o impacto de uma catástrofe sobre a comunidade, sem, no entanto, recorrer a julgamentos fáceis ou a culpar diretamente os responsáveis. O fogo assume, em certa medida, o papel de um agente de mudança imprevisível, que revela as fraquezas e a força de cada personagem, desde o velho José, na busca pelo ´´ninho da cotovia´´, até figuras como Teresa, João e Cidália, cujas vidas são viradas do avesso. Além da imprevisibilidade e da injustiça que a obra explora, temas como a solidariedade e o humor estão igualmente presentes ao longo da narrativa. Raquel Ramos mostra que, mesmo em momentos de crise e sofrimento, há espaço para a resistência e a união entre aqueles que sobrevivem, bem como uma certa ironia e leveza na forma como enfrentam os desafios diários. ´´O Ninho da Cotovia´´ é uma história tocante e bem construída, que retrata uma realidade profundamente contemporânea.

  • O Ninho da Cotovia
    Suzete Ramos | 02-09-2024

    O Ninho da Cotovia´´, de Raquel Ramos, é uma obra que se destaca não apenas pela sua profundidade emocional e beleza literária, mas também pela relevância social e política dos temas que aborda. Neste livro, a autora constrói uma narrativa que é ao mesmo tempo um tributo às vítimas do fatídico incêndio de Pedrógão Grande e uma reflexão sobre a necessidade urgente de uma política florestal correta em Portugal. A autora, com a sua escrita elegante e sensível, dá voz àqueles que sofreram as consequências de uma tragédia que abalou o país. Ao contar a história dessas personagens, lembra-nos da fragilidade das populações do interior e das dificuldades que enfrentam para sobreviver em condições muitas vezes adversas. Cada personagem é retratado com uma profundidade emocional que faz com que o leitor se identifique com as suas dores, os seus sonhos ou nas suas lutas. São pessoas comuns, que poderiam ser qualquer um de nós, enfrentando situações extraordinárias. A escolha de Raquel Ramos em situar a narrativa no contexto de Pedrógão Grande não é apenas um pano de fundo; é uma chamada à ação, um lembrete da importância de políticas florestais bem delineadas e da necessidade de proteger as comunidades rurais. A autora aborda, de forma subtil e eficaz, a urgência de medidas que previnam novas tragédias e que garantam a segurança e a sobrevivência das populações que vivem em áreas vulneráveis. Ao fazê-lo, ela não apenas homenageia as vítimas, mas também coloca em evidência um problema que continua a ser relevante e urgente. Além disso, a beleza de cada personagem e a autenticidade com que são retratados são de se destacar. A autora tem a habilidade de criar figuras que são ao mesmo tempo singulares e universais. ´´O Ninho da Cotovia´´ é, assim, mais do que uma simples história; é um apelo por um futuro mais seguro e sustentável, uma homenagem à força e à vulnerabilidade humanas, e um convite à reflexão sobre o que significa viver e sobreviver nas áreas rurais de Portugal. Raquel Ramos entrega um livro que é não apenas literariamente valioso, mas também socialmente relevante, tocando o coração dos leitores e inspirando mudanças necessárias.

  • ´´ o ninho da Cotovia´´
    Inês Medeiros | 20-08-2024

    ´O Ninho da Cotovia, de Raquel Ramos, descreve com sensibilidade e maestria a tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande de 2017. Explorando a desorganização da floresta de eucaliptos e a falta de estratégia no combate aos incêndios, principalmente no interior do país. Resultando em uma devastação rápida e fatal. A autora, com uma escrita inteligente, homenageia as vidas perdidas e revela as profundas consequências de uma tragédia que marcou o nosso país. É um livro que nos prende desde a primeira à última página! A escritora está de parabéns! ´´

  • Uma Teia Bem Urdida
    São Costa | 10-08-2024

    Com grande mestria, a autora vai-nos enredando numa história com a qual nos fundimos. Através de personagens sui generis, que nos trazem memórias vivas, de lugares que nos recordam assimetrias gritantes, somos tocados por um vasto espectro de emoções e sentimentos. A escrita, que inicialmente nos vai envolvendo de forma subtil e caricata, tocando sempre em pontos sensíveis que nos caracterizam enquanto portugueses e humanos, arrasta-nos para um turbilhão de sensações e emoções que se aglutinam e nos oprimem. Estamos agrilhoados ao cheiro, ao calor, à dor, à aflição, à angústia, à solidariedade, ao amor... Para além de uma obra de leitura obrigatória, uma verdadeira homenagem às gentes e aos lugares. Parabéns, Raquel Ramos!

  • A narrativa que eu esperava!
    Sandra Simões da Costa | 07-08-2024

    Para quem, tal como eu, nunca se conformou com o esquecimento em que caiu o grande incêndio de Pedrógão Grande, e as suas consequências na vida daquelas gentes, esta é a narrativa esperada! Raquel Ramos ousou avivar, com grande mestria, o que a maioria prefere esquecer. Mas esquecer não pode ser o caminho; as vítimas do incêndio merecem uma homenagem! Li este livro com a ânsia de chegar ao fim. Ao longo da narrativa, vão aparecendo novas personagens, com as suas histórias de vida, que se cruzam entre si e, certamente, com alguma parte da vida de cada um de nós. Apesar das suas personagens ficcionais, encontramos neste livro os lugares daquela região do Portugal profundo, tão falados nos dias seguintes àquela tarde de trevas do dia 17 de julho de 2017... Vila Facaia, Nodeirinho, Mosteiro... Ao longo desta narrativa, acompanhamos, de forma metafórica, as injustiças inerentes à Vida Humana: o cuco, que é uma ave parasita, consegue ter filhos sem ter qualquer trabalho para chocar os ovos e alimentar as crias, em detrimento das crias da ave hospedeira que, inocentes, morrem. E o final (inesperado) é, para mim, um desassossego, várias vezes aludido ao longo da narrativa! Desejo que este desassossego se espalhe e perdure, e que esta narrativa seja o rastilho para um filme - o filme que eu aguardo! Parabéns à escritora!

  • A humanidade posta a nu
    Lúcia Barros | 29-07-2024

    ´´Como é isto possível? - É possível porque as consciências vivem no nevoeiro´´. É esta citação de José Gil*, que Raquel Ramos elege para conduzir o leitor ao desfecho desta narrativa. Desfecho? Talvez não. Na verdade, esta obra oferece ao leitor a possibilidade de decidir as vidas das muitas personagens que a povoam. Uma escrita desassossegada, que combina sensibilidade e humor, em doses certas, que convoca vozes universais como Beauvoir ou Saramago, e que as mistura na mundanidade das vidas que (ainda) pulsam no interior do nosso país, convidando o leitor a olhar o mundo pelos olhos do Outro. Entre a fragilidade do cuco, que não tem culpa de ter nascido, e a valentia improvável da Ana cega, que decide parir o segredo de uma vida no dia em que esta parece querer abandonar a aldeia, em O ninho da Cotovia entrelaçam-se a bom ritmo as intimidades de personagens tão banais quanto especiais, numa urdidura que põe a nu a nossa humanidade. *Portugal Hoje - o medo de existir

  • Vamos ler ´´O Ninho da Cotovia´´
    António Pires | 28-07-2024

    Um livro que se lê num sopro. Começa por levar o leitor a conhecer pessoas e lugares e a prepará-lo para o drama que se aproxima. Narrativa que nos leva a conhecer um Portugal profundo, abandonado e onde a esperança não existe. Personagens ficcionadas, mas bem representativas de um Portugal desorganizado e nada preparado para enfrentar situações limite como esta: o incêndio de Pedrógão Grande. Personagens que vivem mais do passado, onde foram felizes, do que do presente que não lhes prepara um futuro risonho. Deparamo-nos com uma escrita esculpida da realidade, próxima de um povo que detém um conjunto de palavras e expressões identificadoras de uma determinada região. Trespassa na obra “O Ninho da Cotovia”, um conjunto de temas muito portugueses: a desertificação do interior, o abandono da família, o excesso de eucaliptos, o álcool como refúgio, a guerra colonial, a falta de planificação, os segredos familiares, entre outros. Em suma, uma leitura a não perder, que leva o leitor a vivenciar um momento triste da nossa existência, enquanto portugueses. A autora consegue levar o leitor a viver de perto as angústias da Teresa, do velho José, da Sãozinha, do Manel Tolo, da Ana e de muito outros. Na minha opinião, o ninho da cotovia é uma metáfora daqueles que se metem na vida dos outros, tal como o cuco ocupou o ninho da cotovia, e há aqueles, tal como o velho José, que procuram alterar as coisas, todavia acabam por desistir e acomodar-se ´´- o filho do cuco não tem culpa. Se apanho o pai, fornico-o´´.

  • Absolutamente maravilhoso!!
    Catarina Oliveira | 23-07-2024

    É incrível como a narrativa nos empurra para o dia 17 de junho de 2017. Chegamos a sentir (quase como se lá estivéssemos) o calor desse dia de verão e inevitavelmente todos os acontecimentos que o marcaram. A vida das personagens remete-nos para para uma estranha sensação de familiaridade. E a forma como os seus caminhos se interligam e como as histórias se cruzam é soberba. Adorei! Parabéns à escritora.

  • Para ler de um só fôlego!
    Cláudia Santos | 15-07-2024

    Li este livro de um só fôlego, num turbilhão de sentimentos e emoções. Leio muito e há muito tempo que não me emocionava tanto com um livro! Não só porque não consegui (ninguém conseguiu ainda) esquecer Pedrógão Grande, mas também porque está neste livro a essência do que é ser português… e do que é ser humano. Os lugares são reais. Pedrógão Grande e os incêndios também. As personagens, embora ficcionais, moram em todos nós, com as suas angústias, os seus sonhos e as mais profundas inquietações. Podia falar-vos da Sãozinha, da Teresa e do Gustav, da velha Ana e do velho José… mas vou deixar para vós a descoberta dos segredos e das pulsões que os tornam tão reais. As personagens deste livro pertencem a qualquer lugar, estão no passado e também no presente. É através delas que Raquel Ramos, com extraordinária sensibilidade e clarividência, nos faz refletir sobre a amizade, o amor, a solidariedade e a ânsia de um futuro melhor. E que história contar quando pensamos em Pedrógão senão uma história de amor e de solidariedade? Profundamente emocionante, “O Ninho da Cotovia” é uma história de abandono, mas também de superação. É também a história de um país que, por vezes, tarda em dar reposta às necessidades das pessoas; a história de um povo que deseja que Portugal se cumpra na sua grandiosidade.

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O Ninho da Cotovia
ISBN:
9789723620689
Ano de edição:
06-2024
Editor:
Edições Afrontamento
Idioma:
Português
Dimensões:
146 x 230 x 11 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
176
Tipo de Produto:
Livro
Classificação Temática:
EAN:
9789723620689

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