Um rezar de gentes, em que as suas memórias se multiplicam na árvore de uma alma comunitária que, contrariamente à ilusão da solidão entre as montanhas raianas, se estende no pomar do mundo. Este livro sabe bem de ler, colhem-se capítulos como quem rouba cerejas ou apanha amoras ao longo dos caminhos. Caminhos que saem da Beira para Espanha, França, Argentina, São Tomé e Príncipe, e vamos saboreando a delicadeza com que se reveste a rudeza dos tempos lembrados.
N'O Meu Tio de Nantes reconhecemos tantos dos que partiram de um qualquer Portugal profundo do século passado e o replicaram no álbum de fotografias que todos temos em casa, juntando famílias dispersas. Este novo volume da coleção 13 x 18 traz consigo uma forma de falar na Beira que está em extinção: ficamos com vontade de ligar à nossa mãe e pedir-lhe lembranças.