Poucos escritores terão, como Alain-Fournier, atinga lugar de tamanho relevo pelo sortilégio de um único livro. O Grande Meaulnes que é uma das obras-primas, no princípio deste século surgidas, não só da literatura francesa, mas de toda a literatura mundial.
Nascido em Chapelle D. Angillon, em 1886, filho de professores, Alain-Fournier conservou do meio rústico em que viu a luz e cresceu uma visão de encantamento que o seu maravilhoso livro traduz.
Na verdade, O Grande Meaulnes, obras de rara beleza formal, transporta-nos ao mundo transfigurado da adolescência, em que o real e o imaginário poeticamente se fundem, reflectindo uma imagem exacta do maravilhoso que povoa os anseios da juventude.
Livro sem por, nele se cristalizam os sonhos de uma mocidade que todos vivemos e perdemos, mas que vamos reencontrar ao lê-lo.
Trabalhava Alain-Fournier num segundo romance quando a guerra de 1914-1918 o surpreendeu. Chamado às fileiras com o posto de alferes, foi atingido na cabeça por uma bala quando, em 22 de Setembro de 1914, participava, com a sua companhia, numa operação de reconhecimento no bosque de Saint-rémy Mosa.
O seu corpo nunca chegou a ser encontrado, o que mais veio contribuir ainda para envolver num perfume lendário a sua tão fascinante figura de escritor.