"(Mas o gato conhecia-lhes o gorjeio.) Ao contrário do que se pode inferir dos comentários pouco abonatórios das duas senhoras e enganando de forma subtil os próprios donos, Chico-Paspalhão, como elas preferiam chamá-lo, não sabia só comer e dormir, e muito menos marcar presença só porque sim. A verdade é que o paz-de-alma era filósofo e, enquanto parecia dormitar pelos cantos da casa com um olho fechado e o outro aberto, ia moendo e remoendo as conversas fiadas que perscrutava pelos corredores; e quanto aos miados, ainda bem que elas não os entendiam".
(…) Então, pensou: Ainda bem que nós, gatos, não precisamos de usar nem calças nem cuecas. Andamos conforme viemos ao mundo. Não escondemos nada a ninguém. Aliás, não há nada para esconder! (Abre-se um último parêntesis para também confidenciar com o leitor que a maior parte do que foi relatado nesta história é pura ficção, mas algumas coisas, embora muito poucas, são verdades; e a maior de todas é que o gato filósofo existe mesmo!)