No terceiro volume da sua trilogia Memórias em Tempo de Amnésia, Álvaro Vasconcelos interroga-se - e interroga-nos - sobre se o principal risco que a humanidade corre não será o de deixar de pensar, contaminada pelo vírus da banalidade do mal, manipulada pelos algoritmos e a Inteligência Artificial na posse de uma oligarquia tecnofinanceira ao serviço do brutalismo.
Para encontrar o antídoto, Álvaro Vasconcelos percorre o mundo em que viveu nos anos que se seguiram ao 25 de Abril, de Lisboa a Pequim, passando pelo Cairo, por Jerusalém e por Moscovo, Nova Iorque, Rio de Janeiro, e por tantos outros recantos, terminando no regresso à Beira, em Moçambique. Alertando-nos para o terror do esquecimento do fascismo, dos mil sois que destruíram Hiroshima, e para a banalidade do mal colonial.
Peregrinação pela memória dos acontecimentos, grandes e pequenos, que permitiram que a revolução de Abril triunfasse e se transformasse num regime de liberdade; de muitas palavras, ditas nas línguas e sotaques do Mundo, como as de Gorbachev numa varanda de Belém, iluminando o caminho para travar a catástrofe. Essa viagem é também a de um autor maravilhado pelo cinema e por como ele nos ajuda a pensar a nossa humanidade comum.