«"E não será a memória um lugar mítico onde a imaginação vai reatando os fios que o Tempo destroçou?" - escreveu Maria Ondina Braga, referindo-se quer aos infindáveis caprichos da memória, quer à centralidade das emoções e dos afetos, nos processos de organização da memória, do vivido ou do imaginado. Centralidade que ganha relevo numa escritora cujo percurso de vida se estendeu por vários continentes, se dispersou por diferentes lugares, atravessou diversas geografias e culturas.
O seu olhar nómada lê a dispersão e o presente através de um trabalho de anamnese, onde memória e imaginação se interligam, tempos e espaços convivem e se confundem, numa permanente busca do Outro e de si. Não é possível compreender a obra da escritora sem valorizar estas duas formas entrelaçadas de ler o mundo e o ser humano, articulando antropológica e fenomenologicamente uma poética da Memória e das Emoções.»
Os Editores