Marguerite Duras escreveu, encenou, realizou: livros, peças de teatro,
filmes; ou melhor, Marguerite Duras fez livros, peças de teatro, filmes:
escreveu. Todo o seu trabalho e actividade se resumem a esse gesto: a
escrita. As obras aqui em análise (Nathalie Granger, Le camion,
L’homme atlantique) começaram por ser filmes e só depois foram
publicadas em livro. Três filmes-livros que constroem um caminho (e,
nesta autora, os caminhos existem para nos desorientarmos). Interessa
aqui explorar esse Purgatório durasiano onde um filme (que se quer
destruição fílmica) se purifica em livro sem nunca conseguir expiar o
texto. Procede-se, então, à análise específica dos filmes-livros em
causa, para nos aproximarmos de uma poética-potência própria, em
que a voz é determinante.