Eugene O’Neill compôs esta "peça de antigas penas, escrita a lágrimas e sangue" entre 1939 e 1941, mas Longa Jornada para a Noite só seria publicada e representada postumamente, em 1956, a pedido do autor. Texto-testamento ou peça-exorcismo, como se O’Neill fizesse suas as palavras de Jamie, um dos quatro membros da família Tyrone: "Não consigo esquecer o passado. Esse é que é o inferno."
Longa Jornada para a Noite é um dos mais poderosos retratos teatrais da família disfuncional, obra central da dramaturgia psicológica moderna. Acorrentados uns aos outros por sentimentos de rancor, culpa e recriminação, os Tyrones são criaturas a um tempo vulneráveis e implacáveis, sarcásticas e melancólicas, gagas e eloquentes.
«Gaguejar é a eloquência nativa da nossa gente, o povo do nevoeiro.»