Num contexto de crise aguda como aquele que é atualmente
vivido pelas nossas sociedades, é chegado o momento de
refletirmos sobre qual poderá ser a intervenção da filosofia. Estou
certo que alguns setores, sobretudo os de inspiração
heideggeriana, responderiam de imediato dizendo que não
compete à filosofia prender-se com questões conjunturais,
devendo antes ela antes cingir-se àquelas que são as
problemáticas ontológicas que, na sua universalidade e especial
perenidade, lhe conferem singular identidade estatutária e
correspondente sabedoria... Ora, a educação deve justamente
assegurar a capacidade de se ter esperança, desde logo em nós,
agora, mas igualmente nos outros, no futuro. É aqui que se afigura
decisivo o papel da filosofia da e na educação, na praxis, como
artífice de um devir que, acêntrico, confira uma razão de
esperança desafiadora do conformismo que se gera na lógica de
uma história que, por si, tende a prolongar-se a si mesma,
acabando por fazer da crise um impasse em vez de uma ocasião
propiciadora de alternativas.
Os artigos que integram o presente número são um testemunho
das potencialidades da filosofia (da educação) em tempo de
crise...