Hoje em dia será impossível ficar indiferente à crise que nos assalta. Tanto mais quanto a grandeza da mesma a torna monstruosa ao comprometer o valor e a integridade da pessoa humana nos países que a vivem com maior intensidade.
Na verdade, a pobreza e de uma forma geral a exclusão comprometem os fundamentos dos direitos humanos por onde passam várias das filosofias de pendor humanista que os inspiraram. Ficam nomeadamente em causa os seus pressupostos éticos que qualificaram a dignidade da pessoa. Ou seja, o debate é suscitado não por uma confrontação teórica mas por uma autêntica demolição prática dos princípios que inspiraram a interpelação filosófica da condição humana, vendo-se agora esta obrigada a um autêntico exílio.
A filosofia da educação enfrenta muito especialmente, nestas circunstâncias, o desafio de, considerando a educabilidade capaz de suportar a perfetibilidade, aferir dentro de que medida a educação pode construir seres humanos reabilitados com a esperança entendida como fator de resiliência. Trata-se, no fundo, de resistir ao domínio das lógicas economicistas pela afirmação da prevalência da filosofia como inspiração da educação enquanto antropologia prática.