«Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi na minha vida coisas maravilhosas. Fiz na minha vida coisas maravilhosas. Durante algum tempo, o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou. A pena estremece entre os meus dedos cada vez que o aríete investe contra a porta. Um portão sólido de metal e madeira que não tardará a ficar em pedaços.»
No turbulento século XII, numa Europa marcada por guerras feudais, cruzadas e fervor religioso, Leola é apenas uma jovem camponesa condenada a uma vida de miséria.
Quando a guerra lhe rouba todos os homens da aldeia, toma uma decisão invulgar, motivada pela raiva: disfarçar-se com a armadura de um cavaleiro morto para se proteger da violência que a rodeia – escolha que a lança numa jornada incerta.
É nesse caminho que se cruza com figuras inesperadas: um cavaleiro caído em desgraça, um mestre de armas implacável e Nyneve, uma mulher enigmática que afirma conhecer as antigas lendas de Merlin, do rei Artur e da ilha de Avalon, um lugar mítico no qual só existem mulheres e onde a esperança resiste.
Entre territórios devastados, cidades inquietas e cortes dominadas por debates sobre Amor, Deus e Poder, Leola enfrentará perdas e transformações profundas, tornando-se mais do que uma fugitiva disfarçada. Entretanto, há algo que a persegue – a História do Rei Transparente, um relato que parece carregar em si uma maldição para quem o pronuncia.
No meio do caos, uma pergunta permanece: até onde se pode ir para conquistar a própria liberdade?