«Mau! Esquecemos da Sra. Freud!»
«Oh! Desculpem, não lhes apresentei a Sra. Mahler!»
«O quê? Existiu uma Sra. Marx?!»
«Decidi salvar da maledicência e do esquecimento algumas mulheres de grandes homens. Vou trazer para a luz essas mulheres, escondidas por detrás dos fogões, sepultadas sob a poeira da História, vou penteá-las e alindar-lhes o rosto e sobretudo acarinhá-las, porque viveram um amor fora do comum.»
«Xantipa, a mulher-criança de Sócrates, cujo nome se tornou símbolo de ruindade; a Sra. Freud, a serena e feliz mulher que, por instinto, concebeu (assim o decidi)tudo aquilo a que o marido chamou depois psicanálise; Adèle Hugo, tida por imbecil; Jenny, a pequena baronesa esposa de Karl Marx, cuja vida foi mais atroz que a de todas as heroínas de Dickens; e ainda Alma Mahler, a ciumenta, agressiva e invejosa Alma, a infeliz Alma, a quem o noivo, do alto do seu génio, proibiu que se dedicasse à composição...»
Com base em factos históricos, mas usando o coração e a imaginação, a autora faz assim renascer neste romance - «para que também elas finalmente existam» - mulheres desprezadas ou esquecidas que viveram na sobra de génios, revelando-nos o seu mundo sexual e afectivo, os seus anseios e renúncias, as suas alegrias e amarguras, os seus silêncios e revoltas.