A figura do labirinto, exaustivamente usada quando se quer aludir à complexidade de quaisquer modelos ou elementos culturais, surge aqui como um espaço transfigurado onde termina o arco, onde vai aterrar aquela esfera imaginadamente elevada aos zénites do entusiasmo e logo descida aos lugares-comuns, às limitações do real, à materialidade que aparece então como um conjunto conspirativo de barreiras e corredores de enganos e frustrações. Espaço complexo por excelência desde a Antiguidade, figura privilegiada no período barroco, buscando uma simetria que apenas ilude ainda mais quem nele se vê inevitavelmente envolvido, o labirinto não representa, mas é a cultura, na medida em que os seus percursos incitam à ironização das certezas, ao surgimento de novas dúvidas e de obstáculos, mas acabam sempre por mostrar uma saída, muitas vezes quando o sujeito nele enredado já desesperou de a encontrar.