Os nossos filhos aprendem com a realidade. Para poder captá-la e interiorizá-la, necessitam de relações interpessoais, contacto com a natureza e a beleza, e motivação para agir com sentido e consciência. Precisam de sensibilidade, empatia, espírito crítico e criativo. Mas, neste mundo cada vez mais dominado pela artificialidade dos ecrãs, é fácil que sofram de um perigoso défice de realidade.
«Na infância, os ecrãs não são ferramentas neutras. Quando uma criança está a navegar na Internet, está a deixar de fazer mil e uma coisas que são muito mais importantes para o seu crescimento. As crianças precisam de tocar, experimentar, sentir, ver a realidade, experimentá- la em direto e, sobretudo, desenvolver qualidades que lhes permitam, depois, usar essas ferramentas tecnológicas de forma responsável. E essa preparação não se pode fazer com um ecrã na mão. Tudo tem o seu tempo.
«A melhor preparação para o mundo digital é o mundo real.»
«Neste livro não demonizamos as NT, não somos nem tecnofóbicos nem refractários do progresso tecnológico. É claro que o bom uso das NT numa pessoa adulta e madura pode trazer numerosos benefícios. Mas se nos afastarmos dos lugares-comuns que reduzem tudo ao absurdo e simplista dilema de estar «a favor ou contra» as NT, podemos abrir-nos a gradações mais ricas e questionarmo-nos quanto às consequências do seu uso na infância e na adolescência.
É preciso chamar a atenção que o ponto de partida do livro não é uma espécie de ânsia por chegar a determinadas conclusões. O ponto de partida é a educação: os seus objectivos. Quando temos claro quais são os seus fins, damo-nos conta de que na educação nada é irrelevante. Portanto, as NT não são uma espécie de ferramenta «neutra», como muitas vezes se afirmou. Devemos questionar-nos sobre o papel que desempenham (ou não) na busca da perfeição de que são capazes os nossos filhos. É uma grande pergunta, quiçá demasiado ambiciosa, e, portanto, não pretendemos abarcá-la na sua totalidade. Mas, pelo menos, tentaremos suscitar uma reflexão sobre ela, e o leitor poderá guardar o que considerar oportuno.»
A Autora