Constituído por dois livros simultâneos e inteiramente autónomos, Díptico de Lisboa talvez seja um romance bipolar.
Op. 28 é uma paródica narrativa quase picaresca disfarçada de exercício metaficcional - e também, ou sobretudo, o seu inverso - e usa e abusa de uma poética do escárnio, do sarcasmo e do maldizer.
Tributário de uma estética indecisa do fragmento, da memória e da melancolia, Rua Cesário Verde é o relato-crónica de uma peregrinação imóvel. Descrever o movimento do mundo a partir da mais prosaica e anti moderna imobilidade parece ser o objectivo do esquivo protagonista.