É a primeira vez que alguém ilumina uma das faces de Fernando Pessoa com um foco de luz, múltiplo e refractado também ele, como é o do pensamento — de uma parte do pensamento — de Walter Benjamin. Uma leitura cruzada como a que este livro propõe, à primeira vista heterodoxa e arriscada, revela-se, afinal, não apenas legítima, como altamente iluminadora de um texto como o «Livro do Desassossego». Poucas vezes se terão porventura aproximado com maior pertinência dois autores de uma constelação tão afim e tão gémea como Bernardo Soares e Walter Benjamin. (João Barrento)