Pela graça de Deus, D. João, rei de Portugal e do Algarve, e senhor de Ceuta. Passou a ser esta a sua designação formal após a conquista de Ceuta, em 1415. Este rei, sabedor das coisas da guerra, é um desses monarcas que forjaram a Europa nos últimos tempos da Idade Média. Rei por aclamação saída de uma tremenda necessidade nacional, sempre foi um militar, por vocação e por formação.
Vencedor em Lisboa, em Atoleiros, em Trancoso, em Valverde, em Aljubarrota, onde deixou a sua marca na história militar europeia, vitorioso em Ceuta, este rei, esse enorme comandante militar forjado na guerra, lançou o reino numa nova e imensa aventura.
Em passos largos conduziu os povos e os exércitos que governou e comandou para a Idade Moderna, transitando Portugal de um estado forjado na Reconquista, filha da Cruzada, para um reino multidimensional que iria ajudar os europeus a abrirem outros caminhos para o conhecimento científico, tecnológico e cultural. Para muitos é o primeiro monarca do processo expansionista e colonial português; para alguns o último comandante dos cavaleiros da Reconquista. Para todos, e para sempre, um dos maiores líderes que o nosso país alguma vez teve.