O vento uivava, acompanhando a chuva grossa que caía impiedosamente.
O carro não pegava. Com mãos trémulas, Margarida rodou de novo a chave na ignição, ao mesmotempo que os seus lábios murmuravam uma prece.
—
Por favor, meu Deus! Por favor, ajuda-nos!
Ouviu o choro aflitivo de Sara no banco de trás. Queria assegurar-lhe que tudo ficaria bem, mas a voznão lhe saiu. Sentia os lábios e a garganta secos. O coração batia descompassadamente. As pernastremiam-lhe, como se tivessem vontade própria ou não fizessem parte do corpo.
Ouvia os passos a aproximarem-se. A voz quebrou a noite, sobrepondo-se ao ruído forte da chuva.
—
Pensas que escapas? Sua cabra!
A voz soava arrastada, como se tivesse enlouquecido. A luz de um relâmpago rasgou o céu,iluminando a noite escura, seguida de um trovão ensurdecedor.
O choro de Sara tornou-se mais intenso e assustado.
Chovia torrencialmente. Bátegas pesadas caíam estrondosamente sobre o automóvel.
Vá lá! — Pediu em pensamento. — Por favor!