As circunstâncias em que a obra Contra os Juízos dos Astrólogos, de Frei António de Beja, surgiu estão intimamente relacionadas com os prognósticos sobre a ocorrência de um dilúvio nos primeiros dias de fevereiro de 1524, motivado pela conjunção de Saturno, Júpiter e Marte no signo de Piscis, o qual deveria causar «hu˜ a tam grande e tal alteraçam: qual nunca lemos nem ouvimos em algum tempo de nossos mayores».
A expectativa de tal cataclismo, exacerbada por uma intensa polémica desenvolvida entre astrólogos, teólogos e filósofos ao longo de vários anos, com especial expressão em textos impressos entre 1517 e 1523, acabaria por atingir os diferentes estratos sociais, numa demonstração do crédito de que a astrologia gozava então na cultura das classes populares urbanas, acabando por gerar um pânico coletivo um pouco por toda a Europa.