Os Contos Liliputianos são histórias curtíssimas. Estas crónicas são críticas sociais e humanas, a rir pretende-se satirizar os costumes doentios. Projetam uma visão do lado escuro da vida, indo de história em história, num fluxo de tempo suficiente para beber um copo de água... Com ironia, as máscaras perfilam-se na fuga para a descaracterização do homem convencional, em função de um outro género de homem em construção. O futuro, a obra e o homem devem estar em aberto. "A menina curiosa achou uns óculos no banco de jardim. Colocou-os e reparou que via as pessoas por dentro. Assustou-se! Passou a desconfiar do ser humano, descobrindo que só no carnaval a maior parte se tornavam em quem eram." "Etelvina quis fazer o destino, despiu-se em público e foi assediada pelos sem-abrigo capitalistas. Casou com um, indo viver para baixo de uma ponte, onde foram felizes até a ponte ruir." "Que ar desconfiado! Confia, que a beleza vem dar-te o prémio. Quem conseguir despertar a esperança receberá a coroa de louros. Não interessa o valor pecuniário, mas o simbólico. Bom apetite!"