Caruncho

de Layla Martínez; Tradução: Guilherme Pires; Ilustração: Christina Casnellie 

Editor: Antígona
Edição: março de 2024
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Caruncho (2021) narra o regresso de uma neta, acusada de um crime, à casa rural da família e mergulha o leitor no coração de uma Espanha vazia, marcada por resquícios do franquismo, uma terra tão agreste e estéril como o destino a que condena as mulheres que nela vivem.

Contada a duas vozes, pela jovem e pela avó, esta história de rancor e vingança é indissociável da memória do lar assombrado, de espectros que clamam justiça, entre quatro paredes sobre as quais pesam traumas herdados e décadas de violência e opressão.

Um aclamado romance de estreia, com ecos de Pedro Páramo, de Juan Rulfo, e de alguns contos de Silvina Ocampo, em que se entrelaçam terror, injustiça social e uma pesada herança familiar que, como o caruncho, corrói as protagonistas.

Críticas
«Um acontecimento literário.»
Belén Gopegui

«Uma casa de mulheres e sombras, feita de vingança e poesia.»
Mariana Enríquez

«O livro das miseráveis e das infelizes que dizem basta.»
Alana S. Portero

Críticas de imprensa
«Lírico e cru, este livro incómodo assombra-nos.»
José Mário Silva, Expresso

«Uma leitura perturbadora e fascinante.»
Visão

«Uma história de traumas herdados, de memórias assombradas pela violência e pela opressão.»
José Riço Direitinho, Público

  • Um romance de estreia louvável
    José Reininho - Bertrand Rua da Fábrica | 21-07-2024

    Que sentimento corrói o espírito humano e que o desgasta até não deixar nada? A resposta reside no ´´Caruncho´´. Protagonizado por uma neta envolvida num acontecimento trágico numa região rural de Espanha, uma avó que tem a habilidade de comunicar com santos e uma casa multigeracional, amaldiçoada e habitada por sombras. Layla Martinez une o realismo mágico ao feminismo e à injustiça social, de uma forma irrepreensível e fluída, corrompendo até o leitor mais hesitante. É um livro fora do comum mas gratificante, para os gostos de ´´Cem Anos de Solidão´´, ´´Pedro Páramo´´ e a ´´A Vegetariana´´.

  • Recomendo
    Claudia Marques | 26-03-2026

    Sem muitas palavras... Gostei

  • Boa estreia
    Joana | 10-12-2025

    Li o livro em menos de um dia por ser de fácil leitura. É uma história visceral e de classe. Podia ter ainda mais potencial. Há alguma coisa confusa que acontece. Não é linear embora seja bem escrito. Para estreia é um ótimo começo.

  • LAYLA MARTÍNEZ: “CARUNCHO”
    Joaquim Armindo – Ex-professor universitário e Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental | 13-06-2025

    Layla Martínez no seu livro “Caruncho”, editado em 2024, pela Antígona, oferece-nos uma história, para lá do franquismo, mas com a sua tutela, contada a duas vozes: uma avó, a que chama sempre de “velha” e uma neta. Uma história cheia de pequenos-grandes apegos aos interesses dos leitores. “Agora a camisa não serve para nada pois está desbotada, mas isso não interessa porque não vou ter uma entrevista de emprego e ninguém me vai contratar, não depois do que aconteceu. Não precisarei de cerrar os dentes para evitar que a bílis saia, mas a velha diz que terei de aprender a fazer alguma coisa. Diz isto porque não me quer ter por casa o dia inteiro, mas tem razão por que passo o tempo sem fazer nada fico nervosa e inquieta. Gostava de passear cães só que aqui ninguém me vai pagar por tais tarefas, aqui mantêm-se os cães trancados num curral a agradecesse a quem atire um naco de pão duro por cima do portão de vez em quando.” Esta fluidez com que a escritora narra as diversas circunstâncias vividas pela neta e pela velha são consonantes com o regresso da neta à sua casa rural, a neta tinha sido acusada de um crime daí pensar que ninguém lhe daria qualquer emprego. As cenas do livro continuam nestas circunstâncias com frases bem elaboradas, como: “Apesar disso, deixou-os aqui e não os levou para um lado nem para o outro, já tinham passado por um imenso inferno, mas não poderiam chegar ao céu porque o céu está cheio de bispos e de gente fina que pode pagar missas e enterros, e o que fariam lá estes miseráveis? O facto é que ficavam agarrados aos escombros e passado algum tempo, um deles aparecia cá por casa e escondia-se no roupeiro e por lá estão desde essa altura, não tenho estomago para os expulsar.” Repare-se nas palavras “céu”, “bispos e de gente fina”, “pagar missas e enterros”, “agarrados aos escombros” e “escondia-se no roupeiro”, tudo uma magnifica invenção da escritora. O livro continua com estas imagens, tantas vezes escuras: “Não querem que o filho seja criado por uma pobre desgraçada com roupa da feira e raízes de cabelo por pintar porque o que poderá ensinar-lhe essa infeliz, o que poderá ensinar-lhe se não triunfou em nada se não conseguiu fazer nada da vida, como poderá mostrar-lhe onde pertence, como o fará ver que o mais importante é o êxito é o dinheiro como vai ensiná-lo a pisar se sempre foi espezinhada.” Conta a história das “paredes” onde se encontram tijolos que saem e entram para novos lugares onde vivem ancestrais. Um bom livro para pensar!

  • Fantasmas do futuro
    Pedro Matias | 02-05-2025

    Nesta obra interessante a autora fala-nos do período da guerra civil espanhola e posterior franquismo, numa espécie de livro de terror onde são sabiamente misturados o real que tanto se tenta ocultar e o oculto propriamente dito. Sempre presente uma fantasmagórica luta de classes na Espanha rural de então e os crimes da tradição judaico-cristã em nome duma ditadura patriarcal que, em muitos sítios ainda predomina e que uns quantos tentam recuperar, nomeadamente, por estranho que pareça, muitas mulheres. O caruncho de que nos fala L. M. é o bicho que a todos consome por dentro sem que a maioria disso de dê conta. E se uns se podem dar ao luxo de “morrer de depressão, os pobres continuam a poder, apenas, morrer de tristeza”.

  • Caruncho
    MRS | 22-03-2025

    Numa aldeia isolada de Espanha, uma família pobre e uma casa cheia de fantasmas. Contado a duas vozes este livro é imperdível.

  • Magistralmente fora da caixa
    Célia gil | 17-01-2025

    Este é um livro bastante invulgar e fora da caixa. Apesar de muito breve, requer bastante concentração na leitura, para não se perder o fio à meada. A casa é o cerne da narrativa, o eixo em torno da qual se desenrola a história e as personagens adquirem destaque. É uma casa que absorve, na qual ficam gravadas, para sempre, as personagens e as suas vivências. É uma casa que guarda os seus espectros nos armários e que, aos poucos, nos vai abrindo a porta para que entremos e fiquemos também nós, leitores, a fazer parte da sua história. Somos literalmente sugados para a casa, o seu misticismo, os seus fantasmas, que estão bem vivos e presentes ao longo de toda a narrativa e que nos deixam sem ar. Tudo parte da relação de uma avó e uma neta, que transcende a própria morte e a história vai sendo narrada, alternadamente, pelas duas. E, nesta casa assombrada e assombrosa, que faz despertar memórias, narra-se a história destas protagonistas femininas, uma história de ressentimento e vingança, que não podem deixar de ler. Primeiro estranha, depois entranha.

  • Agradável surpresa
    Arlete | 28-12-2024

    Um livro surpreendente. Uma história inquietante, envolta nas tradições de uma Espanha rural, numa saga familiar onde coabitam sons estranhos, muitas sombras e personagens encantadas.

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Caruncho
ISBN:
9789726084556
Ano de edição:
03-2024
Editor:
Antígona
Idioma:
Português
Dimensões:
138 x 212 x 9 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
128
Tipo de Produto:
Livro
Classificação Temática:
EAN:
9789726084556

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