Retrato Huaco, de Gabriela Wiener – não ser de lugar nenhum
Retrato Huaco (Antígona, 2021) situa Gabriela Wiener, uma jornalista e escritora peruana residente em Madrid, no Museu do Quai Branly, em Paris, frente a peças arqueológicas trazidas do Peru pelo tetravô, Charles Wiener, um explorador austríaco que se tornou francês, e nas quais a protagonista desta autoficção se reconhece. Neste "sofrido artesanato do eu" começa a ser tecida uma história "sem ficção aparente" que, ao longo de 162 páginas, leva o leitor a uma viagem à identidade da autora, às peças de um puzzle que nem sempre encaixam. "O meu rosto é muito parecido ao de um retrato huaco. (...) Um huaco pode ser qualquer peça de cerâmica pré-hispânica feita à mão, de formas e estilos diversos, pintada com delicadeza. Pode ser um elemento decorativo, parte de um ritual ou uma oferenda num túmulo (...) A imagem de um rosto indígena é tão realista que, para muitos, olhar para eles equivale a observar um espelho partido há séculos".