«há poemas que obrigam a lê-los depressa. Não para chegar ao fim. Mas porque o ritmo das palavras o impõe. Depois volto atrás, sem perceber porquê, e releio e tenho outra vez pressa nas palavras. E ainda não sei porquê.
um poema acalenta-me na mansidão de um xaile grosso e vermelho. Talvez um miar sumido de uma preguiça felina. Tanto aconchego. Tão bom. E na fotografia - janela sobre um voo - o frio. Só o frio.
o maravilhoso de uma imensa loja antiquária a céu aberto. Desmesurada. Umas formas curvas no entrelaço suavizado pelos olhos. Do outro lado, umas palavras de alquimias, forças mágicas, predestinação. E sem que se perceba, percebe-se a viuvez da praia, gritos como gaivotas em prantos e lamentos. E a morte. E o mar.»
JF