"A ilha, a ilha que existe pelo vento e luz em viagem, que neste espaço cósmico sobrevoa o tempo de uma imensidão incompreendida. É pelo mesmo vento que se esbate nas asas de um corvo-marinho, na mesma latitude, que também viajo e vos observo pela luz... e observo-vos numa interação de diálogos imaginados pelos olhos de um orifício de cristal multicolorido; aqui, aqui deste pequeno elevado socalco de pedra-pomes rodeado por um mar de azul imenso."
É assim que inicia o primeiro texto de abertura deste Corvo Literário, embebido num périplo poético que funde a imagem e o texto sem que o texto e a imagem fotográfica se interliguem.
O segundo livro de um périplo poético pelos Açores, continua de novo a derramar uma poesia misteriosa pelas suas 208 páginas num sentir desnudado com que os autores se apresentam. A abertura das retinas aos mais ínfimos pormenores que estimulam os recantos da consciência humana, quando assimiladas pela viagem e recolha instantânea na filtragem carregada de outras equações paralelas…
"Bem-vindo, sejas ao mundo onde viajas! Começa o poeta. […] "depois da travessia do mar perigoso." Termina o poeta.
Ou como nos diz José Silva: "Azores - Corvi Insula que desvela as almas dos autores - Ernesto Matos e Pedro Miranda Albuquerque. Duas artes que se introsam no olhar dos leitores. O resto cabe aos que olham, vêem e lêem. O livro, esse, sendo objecto de arte e sempre belo."