O primeiro livro de Sér¬gio Almeida propõe cin¬co contos, numa «Análi¬se epistemológica da treta», "ou talvez não", como diria o autor. A obra al¬vitra doses não contidas de drama jocoso e de co¬média pungente e agita¬da. "Já alguma vez conce¬beram o mundo como um espaço residual em que todas as formas se cruzam e multiplicam, dando origem a suces¬sões de matéria e seus derivados? Eu não", es¬creveu Sérgio Almeida. Um conjunto de cinco contos ficcionados, atra¬vessados por uma dose de humor, procuram "explorar a vertente cómica do drama e o lado dra¬mático da comédia". Embora influenciado por alguns autores, tais como Henry Miller ou Boris Vian, a sucessão de textos radi¬ca essencialmente do imaginário do jovem es¬critor. O imaginário é de uma dimensão variável e, como tal, o de Sérgio Almeida invoca rasgos irónicos inequivocamen¬te reconhecíveis. As narrativas rondam absurdos maneirismos literários, dando também notícia das misérias, a face da treta em Portugal e dos interesses; mediáticos. O poeta propugna que o jornalista presta "a tarefa de produzir e dissolver a ordem das coisas num riso cultural e esperançado, servindo-se da paródia de um modo qual a nossa literatura desabituara". O jornalista deixa, então, o seu "legado" na treta ou no mural da ética. Em suma, "Análise epistemológica da treta", contém 13 ilustrações de Paulo Moreira, e é um conjunto de contos que investe num humor corrosivo e "non sense", bem patente em textos como "Cartas a um jovem ladrilhador", "O estranho caso de um caso deveras estranho" ou "Look, mom! Bob is on the air"…