Num país onde o teatro é olhado com pouco interesse pelo poder e com desconfiança pelo grande público, num país onde a edição teatral é escassa e a produção de peças originais portuguesas é diminuta, Norberto Ávila aceitou o risco da situação de dramaturgo profissional; é um dos únicos, senão mesmo o único, de entre os nossos dramaturgos actuais, que o fez.
A sua produção dramatúrgica é, por isso, regular, e dessa regularidade resulta uma experiência acrescida, um métier que apoia a vontade criativa. As suas peças, cada vez mais solicitadas, encontram um acolhimento caloroso, embora continuem — é mania nacional — a ser melhor conhecidas no estrangeiro do que em Portugal. […]
O trabalho de um escritor como Norberto Ávila mostrou já que o caminho não pode deixar de passar pela profissionalização; é nossa responsabili¬dade, enquanto homens e mulheres de teatro, tirar do seu exemplo a necessária lição.