José Gardeazabal: “Há incómodos que, versados em literatura, nos fazem avançar.”
Um casal, decidido a separar-se e de malas feitas, é obrigado pelas autoridades de saúde a uma quarentena. O seu apartamento transforma-se numa arena de proximidade física e distâncias calculadas, onde os restos da vida amorosa e o trautear televisivo de uma pandemia mudam o mundo por dentro e por fora. Ali, sob o regime forçado de uma intimidade perdida, percebemos como, entre antigos amantes, vizinhos e desconhecidos, a saudade das multidões e dos sentimentos sempre estiveram à altura de nos resgatar do peso do presente. Quarentena, Uma História de Amor, o novo romance de José Gardeazabal, coloca-nos no lugar de espetadores de uma história de amor em 40 dias. “A nossa relação desapareceu pelo efeito preguiçoso do tempo”, esclarece o protagonista logo à entrada da narrativa. Será que devemos acreditar nas primeiras impressões ou dar tempo à descoberta? Uma introspeção inesperada, à porta fechada, sobre o que é o amor, onde começa, acaba e recomeça.