A maioria das cartas de Luísa para Maria Fernanda revela quase tanto da autora como da destinatária [...].
Quando Luísa da vida se libertou, Maria Fernanda tinha 44 anos, viveria ainda outros 50 sem nunca esquecer a amiga [...]. São suas estas palavras: «Não, Luísa não morreu. Luísa Grande fez mais uma vez as malas e mais uma vez partiu. Para onde? Para um país secreto, misterioso, que é a pátria das almas, e onde um dia, levada pela mesma corrente impetuosa do tempo, irei procurá-la para matar esta grande, dolorosa, saudade e, mais uma vez, com ela, falar da vida, amar a vida, glorificar a vida.»
Sim, eram diferentes, não muito, mas, sim, diferentes. Mas iguais em tudo o que no mais fundo de si mesmas as definia, a sensibilidade, a entrega, o lirismo e a capacidade de amar.
[Mafalda Ferro - FUNDAÇÃO ANTÓNIO QUADROS]