Enquanto treinador, pertencia-me não só alcançar resultados, mas também deixar uma herança; um legado composto por melhores jogadores e treinadores, melhores equipas, melhores clubes, associações e federação da respetiva modalidade; tal como uma sabedoria, tanto quanto possível partilhada. Obviamente, também um melhor desporto português como um todo, incluindo uma melhor comunicação social da especialidade.
No meu longo caminho, os habituais altos e baixos ilustram como é difícil ser treinador. É-nos exigida uma persistência e uma capacidade de superação acima da média. Tais dificuldades advêm, em grande medida, do complexo e surpreendente comportamento humano, no geral; e da junção de seres humanos em equipa ao serviço de objetivos comuns sob a liderança e a gestão operacional do treinador, em particular.
Persisti sempre na responsabilidade, da qual este livro é mais um exemplo, de espalhar a mensagem e o conhecimento. Hoje, ao ultrapassar a barreira dos 80 anos de idade, sinto que essa luta continua, embora as questões que se me colocam sejam de natureza mais filosófica, mas não menos inquietantes:
Quem sou eu, enquanto treinador?
Qual é o sentido da vida de um treinador?
Será o treinador um homem livre?