Deus queira que exista Deus. Por uma dessas tristes coisas da vida, no Domingo 13 de Fevereiro de 1983, véspera de S. Valentim, o Emigrante José González Alea viu-se obrigado a matar um homem em defesa do amor, que é uma legítima maneira de matar em defesa própria. Teria sete mil e trezentas noite para esquecer o episódio, e por fim consegui-lo-ia, mas durante muito tempo não fez mais do que recordá-lo. Naquela Terça-feira, enquanto esperava na sua cela a visita do padre Anselmo Jordán, José decidiu espremer o suco da sua má memória e nessa ocasião conseguiu o sumo de três gotas amargas: a sombra de Dorothy Frei (a pequena Lulu) desenhada no claro-escuro do compartimento, os olhos do seu morto no momento em que lhe crava uma trincha de carpinteiro e a voz do juiz ao ditar a sentença.