A Fábrica de Cretinos Digitais

Os perigos dos ecrãs para os nossos filhos

de Michel Desmurget 

Bertrand.pt - A Fábrica de Cretinos Digitais
Opinião dos livreiros
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Michel Desmurget: “Não encontrei nada para combater os efeitos negativos dos ecrãs que fosse tão fundamental como a leitura” Depois de, em 2021, ter alertado para o efeito que a exposição aos dispositivos digitais está a ter no cérebro e desenvolvimento das crianças e jovens, no livro A Fábrica de Cretinos Digitais, publicado em Portugal pela Contraponto, o neurocientista Michel Desmurget revela agora que a leitura é o remédio perfeito para combater esses efeitos negativos. No novo livro — Ponham-nos a Ler!, lançado pela mesma editora —, o também diretor de investigação do INSERM (Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica francês) dá a conhecer os benefícios de ler, que é, avisa, “muito mais do que juntar letras, é compreender o que se está a ler”. A leitura é fundamental para desenvolver a linguagem, a concentração e a empatia, e para o sucesso escolar e profissional, tal como é importante para compreender o mundo, e não se deixar enganar pela extrema-direita. “Se quiser ajudar os seus filhos, reduza o tempo passado em frente aos ecrãs e fomente a leitura”, aconselha Michel Desmurget. Pensar a relação humana: para as crianças e adolescentes e os seus educadores Da imensa bibliografia sobre as consequências do digital no modo como a juventude (as crianças e os adolescentes e, se se quiser, os jovens adultos, considerando os 25 anos como limite dessa designação) se relaciona, não só vale a pena referir o ensaio de Michel Desmurget, A Fábrica de Cretinos Digitais (Contraponto), como um outro livro, Os Superficiais — o que a internet está a fazer aos nossos cérebros (Gradiva), ambos premiados com relevantíssimos galardões literários. Devido à investigação a que se dedicaram os seus autores, mas também porque ambos os livros nos obrigam a ter de refletir ponderadamente sobre o impacto das tecnologias digitais nos âmbitos familiar e escolar, universitário e, claro, no campo do trabalho, esses dois ensaios constituem duas ótimas entradas para quem queira pensar sobre um tema antigo, mas que é um tema de sempre: a amizade. Num entendimento mais vasto, o que são as relações humanas. Em bom rigor, diga-se, quando hoje a comunidade educativa (a Família, o Estado e a Escola/Universidade) se debruça sobre o problema da dependência digital por parte das gerações já nascidas num tempo de franca expansão dos ecrãs, raramente esse problema é pensado à luz do mais óbvio bom senso e da mais lementar observação dos factos. Enumero alguns desses factos, que as gerações mais velhas repetidamente apontam:
Editor: Contraponto Editores
Edição: outubro de 2021
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Estamos a viver uma situação muitíssimo preocupante. O autor deste livro afirmou, numa entrevista à BBC que se tornou viral, que os nativos digitais são os primeiros filhos a terem um QI inferior ao dos pais. Após milhares de anos de evolução, o ser humano está agora a regredir em termos cognitivos e de capacidades intelectuais — por culpa da exposição excessiva a ecrãs.

O tempo que as novas gerações passam a interagir com smartphones, tablets, computadores e televisão é elevadíssimo. Aos 2 anos, as crianças dos países ocidentais consagram todos os dias quase três horas a ecrãs. Entre os 8 e os 12 anos, esse tempo aumenta para cerca de quatro horas e quarenta e cinco minutos. Entre os 13 e os 18, a exposição é em média de seis horas e quarenta e cinco minutos diários. Em termos anuais, são cerca de mil horas para um aluno do 1.º ciclo do ensino básico (quase o mesmo número de horas de um ano escolar) e 1700 para um do 2.º ciclo. Já para um aluno do 3.º ciclo e do ensino secundário, falamos de 2400 horas anuais, o equivalente a um ano e meio de trabalho a tempo inteiro.

Ao contrário do que se pensava, a profusão de ecrãs a que os nossos filhos estão expostos está longe de lhes melhorar as aptidões.
Na verdade, verifica-se precisamente o oposto: acarreta consequências pesadas ao nível da saúde (obesidade, desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diminuição da esperança de vida), em termos de comportamento (agressividade, depressão, ansiedade) e no campo das capacidades intelectuais (linguagem, concentração e memorização). Tudo isto afeta gravemente o rendimento escolar dos jovens e o seu desenvolvimento.

Nesta obra tão pertinente como inquietante, que venceu o prémio para melhor ensaio em França, o neurocientista Michel Desmurget traça um cenário doloroso sobre os efeitos que esse consumo em excesso está a ter nos cérebros dos nossos filhos.

  • A educação digital
    César Ribeiro-Bertrand Cidade do Porto | 06-12-2023

    A educação que se presta às novas gerações é algo que terá impacto em várias décadas! Num tempo em que os educadores se debatem com a falta de tempo há a tendência de não dizer não às crianças e a tendência de os sossegar com as novas tecnologias e face a isso a soma de horas à frente de uma tela acumulam-se. Mas qual será o impacto desse tipo educação? Que tipo de adultos estamos a criar? Um livro que nos faz reflectir sobre a forma como fomos educados e a forma de como os tempos ditos modernos nos ´´obriga´´ a educar.

A Fábrica de Cretinos Digitais
Os perigos dos ecrãs para os nossos filhos
ISBN:
9789896663117
Ano de edição:
10-2021
Editor:
Contraponto Editores
Idioma:
Português
Dimensões:
147 x 231 x 22 mm
Encadernação:
Capa mole
Páginas:
368
Tipo de Produto:
Livro
EAN:
9789896663117

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