Estou convicto de que a condensação sistematizada da crónica do livro e da edição em Portugal no período 1970 - 2010, pode contribuir para a compreensão alargada da respectiva relevância na vida da sociedade portuguesa contemporânea. Contemplando aspectos factuais e outros de índole prospectiva, que de alguma forma se baseiam no saber adquirido, pretende-se também, com a presente dissertação, sublinhar as diferentes características que a edição foi assumindo na história recente do nosso país, os desafios que foi enfrentando com sucesso, e as ameaças que podem provir da entrada de novos concorrentes alheios ao mercado editorial.… Ao longo destes quarenta anos - 1970-2010 - a edição em Portugal enfrentou desafios e sofreu transformações de vulto, mesmo radicais, em todos os domínios de actuação: direitos de autor, políticas editoriais, técnicas de produção gráfica, marketing do livro, meios de comunicação e divulgação, estrutura do mercado, ordenamento legal, regras ortográficas, organização empresarial, organização associativa, instituições públicas, projectos de incentivo ao livro e à leitura, hábitos de consumo, novos meios de informação e entretenimento, novos suportes digitais de leitura, e permanente reinvenção de sofisticados processos para obtenção de cópias ilegais. O crescimento exponencial da internet a partir de 1993 e a revolução digital que se lhe vai seguindo, constituem, mais que um desafio, uma mudança de paradigma: do meio milénio que o ser humano viveu na era da «galáxia Gutenberg» para a entrada na nova era da«informação globalizada». Num processo em que cada editor deu o seu melhor, os múltiplos contributos assumiram formas diversas e foi também diverso o nível de sucesso obtido; a qualidade do resultado final, sendo particularmente devedora dos editores mais bem sucedidos, é também fruto da acção de todos, da ampla e renhida competição entre ideias e projectos e, acima de tudo, da acção dos portugueses na sua demanda de horizontes cada vez mais largos que só a sociedade do conhecimento em geral, e o livro em particular, lhes poderiam proporcionar. A turbulência que se vive a nível planetário, por via da passagem ao paradigma digital, constitui um novo grande desafio para o sector editorial e livreiro em Portugal, como também para a sociedade portuguesa na sua globalidade. São estas as linhas gerais de um trabalho que, para além do repositório histórico e factual da evolução e desafios que desde sempre se têm colocado à edição, se pretende valha também como contributo para que se abram campos de discussão sobre o seu futuro e sobre o impacte económico e sociocultural dos novos modelos de negócio, já em curso, ou que se perspectivam no horizonte. (Da Introdução do autor à tese de mestrado em Estudos Editoriais pela Universidade de Aveiro)