«A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos foi uma instituição criada em 1876 para fazer a transição dos termos de gestão da mão-de-obra escrava para a serviçal, quando foi abolida a es¬cravatura nas ilhas de STP. Entrado em vigor o regime de contrato, a mão-de-obra passa a ser recrutada de Angola (uma das maiores fontes de escravatura para as ilhas na fase anterior), Moçambique, Cabo Verde, Serra Leoa, Cabinda, entre outros.
Para o empreen¬dimento roceiro foram também atraídos colonos portugueses para prestarem serviço em lugares cimeiros que lhes eram reservados nas plantações do cacau, cujas grandes propriedades passaram a receber o investimento do Banco Nacional Ultramarino, em detri¬mento dos proprietários autóctones que acabaram por cair na misé¬ria. Odiada por uns e enaltecida por outros, a Curadoria serpenteava entre tratar os serviçais com mãos duras, ao mesmo tempo em que procedia à fiscalização da actuação dos patrões e dos seus admi¬nistradores face aos mesmos.
Propusemo-nos estudar a referida instituição colonial entre 1875, data da sua implantação nas ilhas, e 1926, altura em que o poder colonial, como resultado do Golpe de Estado de 28 de Maio, endureceu a sua posição em S.Tomé e Príncipe. A nomeação do Governador Junqueira Rato em Julho de 1926 é um marco de passagem para uma nova fase das relações coloniais, fossem elas com os nativos ou com os serviçais, cuja subalternização se tornou mais aguda nas ilhas.»
In contracapa
A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos (S. Tomé e Príncipe 1875/1926)