Será que um poema pode mudar o mundo? - Provavelmente, mas tenho a certeza que transforma sempre algo se o publicarmos, é por isso que a 2ª Colectânea Poética Terras da Gândara existe. Neste livro recolhemos poemas de 22 participantes, todos eles com um apego às terras Gândarezas.
Esta coletânea vai caminhando, pouco a pouco, firmando letras, palavras, rimas, que nos servem para recordar um dia, o que a mente do poeta escreveu.
A poesia traça a cultura de um povo, poesia solta, embalada pelas aragens do mar, das dunas da praia, passeando de folha em folha onde navega nos mares de cada leitor, nos mares sem ondas com escreveu, Miguel Torga.
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
São muitos homens e mulheres que tem dado e deram letras à região da Gândara, região esta que engloba cinco concelhos, Figueira da Foz, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Mira e Vagos, todos ligados pela mesma terra e cultura. A influência do mar faz deste povo uma riqueza cultural para Portugal.
A região da Gândara é muito mais de que um território físico, é cultura, costumes, tradições, que se mantêm através da escrita, valorizando a rota de um povo, de uma comunidade, do mar e da terra. O território da Gândara tem uma identidade própria, ditada pelas letras do escritor António Canteiro.
A terra freme
farta de chuva
Uivam douradas dunas
na orgia do vento
ao sul
Imaculados corpos
dormem
sobre descampados
Arde ainda
o dia
Casa de adobo
na cinza
das palavras
Além da divulgação das Terras da Gândara através da poesia, o objetivo desta Colectânea é dar atenção, a todos aqueles que escrevem. Este livro é um encontro sem barreiras de religião, politica, social, cultura, ideologia, mas todos com um objetivo de dar vida a cada letra e sobretudo preencherem este livro sem limites na imaginação. Construir as imagens de um passado como a matança do porco, as idas à praia, a cozedura da broa no forno a lenha, a arte xávega, a casa gandaresa.
Como sucedeu na 1ª Colectânea Poética Terras da Gândara, uma das minhas intenções é incentivar à escrita, alguns dos participantes é a primeira vez que exibem os seus poemas para as páginas de um livro. Essa é também a riqueza deste projeto e todos os que acreditam nele contribuem para isso. Para honrar a 2ª Colectânea Poética Terras da Gândara, convidei para escrever o prefácio, o escritor, historiador, Adélio Amaro, uma das pessoas com mais conhecimento sobre a matéria, com dezenas de livros editados e vários prémios e distinções em todo o mundo.
A capa da coletânea está ilustrada com um quadro cedido pelo artista gandarez Nuno Pedreiro. O meu muito obrigado pela sua generosidade, parabéns pelo seu talento honrando e divulgando as terras da Gândara com sua pintura e trabalhos. Peço a todos os leitores para percorrer estas páginas de poesia, onde gentes insistem em não deixar morrer a memória.
Esta obra exprime a sensibilidade de autores e autoras a quem agradeço pela sua participação, contribuindo para o enriquecimento da cultura Gandareza.