No início do século XVI, em Antuérpia, Thomas More é apresentado ao navegador português Rafael Hitlodeu, que lhe relata a existência de um lugar extraordinário: uma ilha - Utopia - onde impera a ordem e a justiça, onde a propriedade é comum e os cidadãos coabitam em harmonia.
Partindo da noção platónica de uma cidade dirigida por filósofos - e, portanto, pela razão -, More descreve este mundo ideal, conferindo-lhe leis, uma organização social, política e religiosa e até um alfabeto próprio, e tece uma crítica velada à ambição e corrupção da classe dirigente da época e dos valores que a orientavam.
Publicado em 1516, Utopia constitui um dos textos fundacionais do pensamento político moderno e do humanismo, assinalando o momento em que, livre da conceção medieval de um Deus todo-poderoso, o Homem toma consciência de que é dono e senhor do seu destino.