Um dia o padre Nunes me falou de Luarmina, seus brumosos passados. O pai era
um grego, um desses pescadores que arrumou rede em costas de Moçambique, do
lado de lá da baía de S. Vicente. Já se antigamentara há muito. A mãe morreu pouco
tempo depois. Dizem que de desgosto. Não devido da viuvez, mas por causa da
beleza da filha. Ao que parece, Luarmina endoidava os homens graúdos que
abutreavam em redor da casa. A senhora maldizia a perfeição de sua filha. Diz-se
que, enlouquecida, certa noite intentou de golpear o rosto de Luarmina. Só para a
esfeiar e, assim, afastar os candidatos.
Depois da morte da mãe, enviaram Luarmina para o lado de cá, para ela se amoldar
na Missão, entregue a reza e crucifixo. Havia que arrumar a moça por fora, engomála
por dentro. E foi assim que ela se dedicou a linhas, agulhas e dedais. Até se
transferir para sua atual moradia, nos arredores de minha existência.