Insulana
A Insulana (1ª ed. 1635) narra o descobrimento da ilha da Madeira por João Gonçalves Zarco no ano de 1419. Revisita os protagonistas e episódios históricos e lendários do seu povoamento, os feitos dos seus capitães e líderes eclesiásticos, e de outros notáveis que participaram no capítulo da história portuguesa que corresponde à expansão do império marítimo.
Cruzando a história nacional com a história local, o poema épico de Manuel Tomás alia o universalismo do humanismo renascentista à profundidade da cultura cristã barroca. Universalismo presente no elenco de fontes literárias da Antiguidade, históricas, bíblicas e mitológicas, mas também no inventário de espécies florais e minerais, bálsamos e especiarias, cujo conhecimento resulta do comércio intercontinental.
A Madeira, à semelhança das ilhas deleitosas das grandes epopeias do renascimento, é exaltada como lugar de perene amenidade e abundância.
Assinalando os 600 anos do início do povoamento do arquipélago da Madeira, a coleção Epopeias Madeirenses - Obras Completas reúne 11 poemas que são património regional e nacional, três dos quais até aqui inéditos.
1. Insulana, de Manuel Tomás
2. Zargueida, de Francisco de Paula Medina e Vasconcelos
3. Georgeida, de Francisco de Paula Medina e Vasconcelos
4. Nova Lusíada, de Francisco de Paula Medina e Vasconcelos
5. A Padeira de Aljubarrota. Imitação de la Pucelle, de José Anselmo Correia Henriques
6. A Perodana ou o Conciliábulo dos Periódicos, de José Anselmo Correia Henriques
7. O Charlatanismo ou O Congresso Abolido, de José Anselmo Correia Henriques
8. Guianeida, de VV.AA.
9. A Heleneida, de Miguel de Ornelas Vasconcelos
10. Além-mar, de João Cabral do Nascimento
11. Lusa Epopeia, de Quirino de Jesus.
Maioritariamente da pena de autores nascidos na Madeira, evocam os particularismos da paisagem e da história de humanização da Ilha em confronto com a história de Portugal. Num percurso que se estende de 1635 a 1921, datas das edições originais do primeiro e do último volume, a história insular cruza-se com a narrativa da expansão portuguesa e bebe da tradição clássica da epopeia e do seu ex-líbris quinhentista, Os Lusíadas, de Camões. a tuba da épica faz ressoar também o clima das invasões francesas e das lutas liberais, derivando em alguns casos para o modelo herói-cómico.
Nos exemplares mais recentes, sobressaem textos de cariz novelesco e satírico centrados em temas como o amor e a hierarquia social e os fluxos migratórios da Ilha para o continente americano. Já em pleno século XX, combinando modernismo e classicismo, as epopeias madeirenses evidenciam um interesse renovado pela historiografia e o maravilhoso, demonstrando uma apreciável continuidade do género épico em terras insulares.
Direção e coordenação do projecto: Cristina Trindade, Luisa Paolinelli e Rui Carita.