Rádio em Angola
A Angola do futuro irá premiar e reconhecer a incomensurável utilidade, provavelmente ainda no presente, deste trabalho que reflete o talento investigacional histórico-social e também o registo dos âmbitos regulamentar e do modus faciendi da Rádio em Angola, entre 1937 e 1975, de Diamantino Pereira Monteiro.
Jornalista de referência, personalidade de esmerado sentido ético e profissional, culto e observador atento de finíssimo recorte, angolano de coração, português de nascimento das terras de Viriato, Pereira Monteiro viveu parte da infância e juventude na antiga colónia portuguesa de Angola. Naquela terra africana sonhou em fazer rádio. A vocação foi concretizada ao assumir um estatuto profissional numa das várias estações existentes.
A rádio em Angola, na ausência de sistemas de televisão no período estudado e retratado, perante um reduzido número de jornais impressos e um caudal volumoso de analfabetismo, foi o «médium» de excelência protodemocrático, informativo e de entretenimento; foi, por consequência, um natural aglutinador/congregador das populações pronto-a-servir e a escutar jorrando adesão crescente. Subiam as audiências (sem cientificidade na obtenção destes dados) perante o aumento, à vista desarmada, da existência e venda de recetores de rádio e a salutar proliferação das estações emissoras, por norma locais/regionais.
As atuais rádios locais de Portugal e as futuras congéneres de Angola podem encontrar boas sementes nos modelos organizacionais e de gestão que, em terras angolanas, permitiram realizar um serviço de utilidade pública que os governos da época, a nível de Lisboa e da então Província de Angola, viam bem ou mal, consoante a ação editorial dessas rádios e os contextos políticos regionais, nacionais e internacionais.
(…)
Diamantino Pereira Monteiro, retomando nas derradeiras páginas um fluxo narrativo na primeira pessoa, reporta a sua apressada saída do seu rádio clube - a parte reflete o todo: deixar a amada Angola. Há uma discreta nota de dor, misto de saudade e de esperança de que a rádio e também a História estejam sempre em movimento, no ar; e de que - quem sabe? - talvez seja possível voltar, confraternizar, conviver, recordar, historiar.
Este livro é importante para os políticos, para os economistas, para os sociólogos e estudiosos ou, ainda, para os profissionais da Comunicação Social. É um indispensável arquivo histórico da radiodifusão Angolana.
(Sansão Coelho)