Por Menor Que Eu Seja
«Às vezes as palavras têm função semelhante às do escultor. Em
Por Menor Que Eu Seja, o primeiro livro da Teresa, as palavras
escorrem de uma vida feita de dias, de tempo. Com e sem
tempo, porque sendo da autora, da Teresa, são também de
quem, no bosque, no vale, na colina, na savana ou na estepe,
se inquieta com o sentido da viagem. E este, reflectido pela
Teresa, com as suas marcas e os seus sulcos profundos, poderá
decerto sugerir outros sentidos, de outras vidas, que na deriva
e nas esquinas do tempo não se expressam por palavras mas às
vezes por olhares, gestos, sorrisos ou lágrimas, mais ou menos
distantes, mais ou menos vãos para uns, mas não para todos os
outros, para todos nós.
Na praia deserta, na praia habitada, há sempre areia, há silêncio,
há marés cheias, há marés baixas, ventos e sol, chuva e nevoeiro,
que a atenção dos olhares é capaz de romper. Parte da vida ou
a vida inteira pode ser um poema, não bastando, porém, para
isso, apenas escrevê-lo, mas sobretudo senti-lo, sê-lo…
Por Menor Que Eu Seja decorre sobretudo do sentir, do sentir
expresso por olhares captados pelo Sérgio Pinto, o autor das
imagens que acompanham e podem completar estas palavras,
como, ainda, sugerir outras. Quantas imagens dispensam
palavras? É que a linguagem das imagens pode bastar-se a si
própria. Aqui, neste livro, co-habitam com Amor.»