Um livro dos esplendores e das profundezas
Escrito em 1880 por Jens Peter Jacobsen, talvez o maior romancista dinamarquês do século XIX, e considerado uma obra-prima da literatura escandinava, Niels Lyhne nasceu como projeto de um romance acerca do ateísmo. Quem no-lo diz é Claudio Magris, no posfácio desta edição da Antígona. Segundo o escritor italiano, o título inicial era, inclusive, Atheisten, reflexo das próprias convicções de Jacobsen. Porém, Niels Lyhne é muito mais do que um romance sobre o ateísmo ou um romance de formação. Embora omnipresente, há um universo de reflexões acerca da mulher, da igualdade de género, da adequação social, do casamento, do adultério e do amor, que fazem desta uma obra profundamente idiossincrática, que desafi a classifi cações. A tradução de Elisabete M. de Sousa é, em todos os aspetos, excecional, fazendo jus ao que muito se tem dito do livro, nomeadamente o que dele escreveu Rainer Maria Rilke, que lhe chamou "um livro dos esplendores e das profundezas".