Afeganistão
«O empenhamento do Exército Português no Teatro de Operações do Afeganistão enquadra-se num dos maiores e mais prolongados conflitos da era moderna. O conflito no Afeganistão teve início em 2001, após os atentados terroristas de 11 de setembro, levados a cabo nos Estados Unidos da América. Na sequência, foi desencadeada uma intervenção por uma coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos e pela NATO, com o objetivo de desmantelar redes terroristas como a Al-Qaeda e derrubar o regime Taliban, que lhes oferecia refúgio.
Portugal, como membro da Aliança Atlântica, comprometeu-se, desde cedo, com a estabilização e reconstrução do Afeganistão, enviando tropas e meios militares para o país. Ao longo de quase duas décadas de operação, diversas Forças Nacionais foram destacadas para o terreno, integrando as diferentes fases da operação da NATO, incluindo a International Security Assistance Force (ISAF) e, posteriormente, a missão Resolute Support. Estas missões tinham como principal objetivo garantir a segurança e apoiar a formação e capacitação das Forças de Segurança afegãs, para que estas pudessem assumir, em pleno, a responsabilidade da defesa do seu território.
O Exército Português desempenhou um papel relevante neste contexto, com diversos contingentes, desde Forças de Operações Especiais, Forças Comandos, Tropas Paraquedistas, Polícia do Exército, até equipas de treino e aconselhamento. Cada um destes contingentes teve um papel distinto, contribuindo para a manutenção da paz e para a reconstrução do país. Toda a participação portuguesa ficou caracterizada pela dedicação e profissionalismo, enfrentando um terreno difícil, condições climáticas extremas e ameaça constante.
Este livro fornece-nos uma visão abrangente do contributo de Portugal para o esforço internacional no Afeganistão, desde os primeiros contingentes nacionais projetados, até à retirada das Forças Internacionais em 2021. Mais do que uma simples cronologia dos eventos, este acervo histórico procura oferecer uma reflexão sobre o impacto estratégico e humano da participação portuguesa neste conflito, numa altura em que as missões internacionais se tornaram uma realidade constante para as nossas Forças Armadas.»
Do prefácio pelo CEME Eduardo Mendes Ferrão