Em cada livro, as peças do puzzle completam-se, encaixam-se para deixar, no leitor, a imagem de um final feliz, uma aprendizagem, uma lição, a esperança de uma segunda oportunidade. Há livros, ainda, que pedem outro volume, porque a história soube a pouco, porque haveria ainda tanto para viver. O leitor penetra no enredo, imagina, deambula, traça finais, chora e ri. Sente e vive nas personagens, desenha outros finais, outras histórias.
O meu livro não conta uma história. Se pretende um enredo com final feliz, não leia.
Onde já se viu um escritor pedir para não ser lido?
Numa altura em que a minha vida percorria labirintos sombrios, as palavras atropelaram-se, as frases multiplicaram-se e os textos foram construindo um caminho sem pedras. Voei em busca de cor, em busca de luz, em busca de mim.
Aqui.