As Repúblicas de Coimbra, até agora pouco ou nada estudadas, são o objecto deste livro.
Partindo de um estudo de caso - a Real República Palácio da Loucura -, a autora atravessou universos disciplinares diversos para reconstruir uma década de modos de vida das Repúblicas.
Situando-se a investigação no arco temporal 1960-70, período cronológico incontornável no que concerne à história das lutas estudantis, a obre revela como o envolvimento dos repúblicos nas crises académicas dos turbulentos sixties representou um terreno de mobilização dos recursos aprendidos e fortemente treinados (mesmo que pela via parodiante e hedonista…) nestas emblemáticas comunidades posicionadas em pleno "miolo" e "caroço" da Academia.
Se nas Repúblicas os jovens gozavam o seu tempo de excepção permissiva, se eram espaços de alegria, fruição e boémia, de tertúlia e cantorias, de convívio e "partidas", eram igualmente espaços onde o debate era provocado, a reflexão incentivada, a contradição evidenciada. As formas de "saber viver", "saber fazer", "saber dizer", que nestas pequenas ilhotas democráticas se forjaram, constituiram-se armas de uma cultura da oposição.