O extremismo islâmico, no seu discurso e na sua ação, ostenta a bandeira de um islão em permanente agonia, que mantém os seus fiéis na escuridão e incute na sociedade árabe uma conduta de violência, analfabetismo, misoginia e ignorância. Um obscurantismo e uma barbárie que duram há quinze séculos e que hoje se fazem sentir um pouco por todo o mundo, de Palmyra a Paris, do fracasso da Primavera Árabe ao ressurgimento do Estado Islâmico, e dos quais o Ocidente não pode ser ilibado de culpas.
Perante o silêncio e a hipocrisia que se instalaram tanto no Médio Oriente quanto no Ocidente, levanta-se a voz de um dos maiores poetas e pensadores do mundo árabe, Adonis, que, num conjunto de entrevistas dedicadas à temática da violência como elemento constitutivo do islão, reflete sobre a necessidade urgente de uma releitura e debate livres no seio da sociedade árabe, um novo tempo que do passado apenas invoque a luta pelo direito à diversidade e que condene o confronto. Um tempo de reconciliação.
«Descobri que toda a nossa história estava falseada, que ela fora inventada, e que aqueles que tinham criado a civilização árabe e a sua grandeza foram banidos, condenados, rejeitados, encarcerados e até crucificados. É necessário voltar a ler essa civilização de um modo diferente: com um novo olhar e com uma nova humanidade.»
Adonis
«A minha esperança é que o Estado Islâmico seja o último estertor desse islão. Como uma vela que, nos seus últimos instantes, tem um sobressalto antes de se extinguir.»
Adonis