Santo Antão (†356) é tradicionalmente tido por o pai do monaquismo: terá sido ele o primeiro a retirar-se para o deserto em busca de uma maior perfeição espiritual. Porém, essa sua atitude radical talvez não tivesse inspirado outros não fosse a sua biografia, saída da pena de outro gigante da Igreja, Atanásio: o livro, vertido em latim ainda em vida do seu autor, tornou-se um verdadeiro bestseller, difundindo por toda a cristandade antiga o ideal monástico.
Antão, contudo, não é apenas um modelo para os consagrados: o seu combate espiritual (são célebres as suas tentações, matéria de quadros e filmes) é uma ilustração (extrema) das lutas interiores, quotidianas, de cada cristão, e a sua relação com Deus suscita, no crente, uma santa inveja e a vontade de cultivar igual proximidade com o Senhor.
Este clássico da literatura cristã surge agora enfim traduzido em português moderno, fruto do trabalho conjunto entre Ricardo Figueiredo (autor de uma biografia de Atanásio) e Isidro Lamelas (especialista nos Padres da Igreja).