Dom Manoel de Portugal foi um homem influente no seu tempo (séc. XVI): embaixador
de Portugal em Castela, apoiante de D. António Prior do Crato, Comendador do
Vimioso e Provedor das Terças do Reino. Mas foi também «um insigne cultor das
musas» e um profundo pensador espiritual; este Tratado Breve da Oração concluía
a edição da sua obra poética: Obras de Don Manoel de Portugal (1605). Nele, Dom
Manuel apresenta uma suma da doutrina dos maiores pensadores cristãos sobre a
oração, que não é mais que o «suspiro» da alma pelo seu Criador. Para ele, rezar é
sobretudo gemer - e não tanto falar -, e a oração por excelência é a oferta do divino
ao divino, como é expresso nessa oração final: «Acto de Oferecer o Filho de Deus a
seu Pai Eterno».