Ao viajar pelas vastas planícies do sudeste da Hungria, a narradora faz uma paragem numa pequena localidade quase abandonada perto da fronteira com a Roménia, cujo cinema - mozi em húngaro - está fechado há muito. Outrora centro pulsante da vida comunitária, o edifício surge agora como ruína, e a sua importância relegada para as histórias e memórias dos que ainda permanecem naquela aldeia.
Compelida pela irresistível magia do cinema, e encorajada pelos habitantes, a narradora propõe-se recuperar o antigo mozi num gesto de resistência contra o apagamento desse lugar de experiência coletiva.
Em Ver Mais Além, Esther Kinsky, uma das autoras mais premiadas da literatura alemã contemporânea, presta uma homenagem - feita de autobiografia, ficção, ensaio e fotografia - ao cinema, realizando um exercício de atenção profunda que convida o leitor a abrandar o passo e a expandir o seu modo de ver.