Prólogo de Valentín Cabero Diéguez
«As fronteiras políticas e os espaços que lhe são contíguos constituem, desde há muito, um objecto de estudo proeminente em inúmeras áreas científicas. Entre estas, a Geografia e, mais especificamente, a Geografia Política, assumem um papel fulcral, seja pelo seu contributo para o conhecimento destes elementos e dos fenómenos a eles associados, seja pela sua participação directa em múltiplos âmbitos relacionados com as fronteiras e as regiões fronteiriças (processos de delimitação e de demarcação, auxílio à fundamentação e legitimação política, resolução de problemas intrínsecos à génese e funcionalização das fronteiras, promoção da articulação e cooperação, etc.). (…) A partir de uma leitura marcadamente geoeconómica, podemos afirmar que estas transformações nas fronteiras e nos espaços que lhe são contíguos surgem intimamente relacionadas com a emergência de "blocos regionais" ou "processos de integração regional" e uma das grandes regiões do Mundo onde estes elementos surgem de forma mais evidente e aprofundada é a Europa ou, mais especificamente, os territórios integrados na União Europeia (UE). Este "bloco regional" tem experimentado, como nenhum outro, um progressivo alargamento e aprofundamento, designadamente porque, do processo de integração económica sectorial da CECA (Comunidade Económica do Carvão e do Aço) à União Económica e Monetária (passando pelo livre comércio, união aduaneira e mercado comum), foram dados passos enormes, e até mesmo revolucionários, nas formas e mecanismos de integração regional. Esta evolução gerou fortes impactos nas regiões abrangidas e de entre os vários tipos de regiões afectadas surgem claramente as regiões fronteiriças.»
(Da Introdução)